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LIÇÃO 01 - O MUNDO DO APÓSTOLO PAULO

  • Foto do escritor: José Menezes
    José Menezes
  • 30 de set. de 2021
  • 25 min de leitura

HINOS SUGERIDOS: 194, 204, 473 da Harpa Cristã


OBJETIVO GERAL

Saber como o mundo de hoje é uma porta aberta para o Evangelho.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS


I- Apresentar o mundo de Paulo no império romano; II- Discorrer sobre o mundo cultural de Paulo; III- Descrever o mundo religioso de Paulo.


Texto Áureo

“Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel.” (At 9.15)


Verdade Pratica

Segundo a sua soberana vontade, Deus usa as circunstâncias para fazer uma grande obra.


LEITURA DIÁRIA


Segunda Rm 1.1; 1 Co 1.1; Ef 1.1 – Paulo, chamado para ser apóstolo Terça At 26.16-18 – Enviado para os gentios Quarta 1 Co 8.5,6 – Paulo, um defensor da fé Quinta At 22.3 – Paulo declara sua identidade judaica Sexta Gl 1.14 – Seu zelo pela religião judaica Sábado Atos 13.1-3 – O chamado de Paulo para missões


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Atos 26.1-7


1 – Depois, Agripa disse a Paulo: Permites-te que te defendas. Então, Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: 2 – Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja, hoje, de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus, 3 – mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; pelo que te rogo que me ouças com paciência. 4 – A minha vida, pois, desde a mocidade, qual haja sido, desde o princípio, em Jerusalém, entre os da minha nação, todos os judeus a sabem. 5 – Sabendo de mim, desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu. 6 – E, agora, pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais, estou aqui e sou julgado, 7 – à qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus.




INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Mais um ano está chegando ao fim. Neste último trimestre, estudaremos a vida e o ministério de um grande homem usado por Deus: o apóstolo Paulo. É uma oportunidade para aprender e colocar em prática princípios eternos que nortearam a vida desse mui digno homem de Deus.


Nesta primeira lição, você pode propor uma reflexão aos alunos a respeito das circunstâncias que o mundo de hoje nos oferece para pregar o Evangelho. À luz do mundo político, cultural e religioso do apóstolo dos gentios, reflita com os alunos as portas abertas para o Evangelho no mundo atual. Apresente o comentarista do trimestre, o pastor Elienai Cabral, escritor, conferencista e consultor doutrinário e teológico da CGADB/CPAD.


INTRODUÇÃO


O assunto deste trimestre é a vida do apóstolo Paulo. Para compreendê-lo melhor, veremos como era o mundo que o apóstolo atuava. Por isso, o texto áureo desta lição apresenta como Paulo foi vocacionado para levar o nome de Jesus diante dos gentios (At 9.15).


PONTO CENTRAL: O mundo de hoje é uma porta aberta para o Evangelho.


I – O MUNDO DE PAULO NO IMPÉRIO ROMANO


1. Entendendo a origem de Paulo. Há poucas informações concretas acerca da vida cronológica de Paulo, como sua data de nascimento, formação cultural e religiosa. Geograficamente, Paulo (nome romano) era natural de Tarso, capital da Cilícia, que ficava às margens do rio Cydnus, na Ásia Menor. Sobre o seu nascimento, não temos data precisa. Talvez tenha ocorrido no ano 5 a.C. Dessa forma, quando o nosso Senhor foi crucificado, Paulo poderia ter entre 30 e 35 anos de idade.


2. A geografia do mundo de Paulo. Geograficamente, o mundo gentílico estava sob o domínio do Império Romano. Naqueles dias, entre o ano 33 e 35 d.C., o imperador era Tibério. A dimensão geográfica do Império Romano permitia excelentes possibilidades de viagens missionárias. Segundo informes da história, a malha viária abrangia em torno de 300 mil quilômetros, sendo que 90 mil quilômetros apresentavam condições excelentes TO RAL para viajar. As estradas do do de império, bem como as vias a porta marítimas, foram de grande importância para a expansão da fé cristã.


Pelo Espírito Santo, o apóstolo percebeu as oportunidades incríveis para a disseminação do Evangelho no império. Ele usou todos os meios possíveis de transporte da época, inclusive navios pelas vias marítimas, nas quais sofreu naufrágios e enfermidades. Assim, a geografia do mundo paulino tem papel essencial para a plantação das primeiras igrejas. Por isso, devemos pensar nas oportunidades que Deus nos dá para a eficiência da evangelização urbana e do campo.


3. Paulo, chamado para os gentios. Atos 9 mostra que, em sua infinita sabedoria e presciência, Deus separou Paulo e o chamou a partir de uma experiência espiritual impressionante, bem diferente dos demais apóstolos, para levar o nome de Jesus ao mundo gentílico (At 9.15). Ele soube que seu apostolado não se daria em Jerusalém, que já tinha Pedro, Tiago (o irmão do Senhor) e João, além dos outros apóstolos que ainda não haviam se espalhado pelo mundo.


Por isso, Atos 26 menciona o testemunho pessoal do apóstolo perante o rei Agripa: “Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para por por ministro e testemunha […] dos gentios, a quem agora te envio” (26.16,17). Enquanto os apóstolos de Cristo restringiam-se a anunciar Jesus aos judeus, nosso Senhor convocava Paulo, de maneira dramática, para ser “apóstolo entre os gentios” (Rm 1.1; 1 Co 1.1; Ef 1.1). Nosso Senhor continua a chamar pessoas para um ministério. Precisamos estar sensíveis à voz do Espírito Santo a nos chamar.


SÍNTESE DO TÓPICO I - A “pax romana”, a geografia e os meios de transporte urbanos e do campo do império romano contribuíram para a propagação do Evangelho.

SUBSÍDIO PEDAGÓGICO

Esta lição nos mostra os três “mundos” do apóstolo Paulo: o romano, o grego e o judeu. O apóstolo teve certa liberdade para peregrinar dentro do império. Ele também se comunicou na língua predominante da época, o grego koiné, bem como fez uso da vasta literatura de seu tempo. Paulo também era judeu. A moral judaica estava presente em algumas partes do império por meio das sinagogas. A soma de tudo isso serviu ao Espirito Santo para que a vida do apóstolo fosse usada integralmente para a causa do Evangelho no mundo gentílico. Por isso, sugerimos que você introduza o assunto desta lição perguntando aos alunos acerca da contribuição cultural, politica e religiosa que o mundo atual nos da para pregar o Evangelho. Quais as necessidades que o mundo de hoje apresenta? Como o Evangelho pode preenche-las?


II – O MUNDO CULTURAL DE PAULO

1. A língua mundial daqueles dias era o grego. Para o povo judeu, o hebraico e o aramaico eram línguas nativas. Entretanto, apesar de a Palestina e todos os demais países do médio-oriente estarem sob a autoridade do Império Romano, prevaleceu a língua do grego koinê, possibilitada pela infraestrutura de comunicação do império. O koinê era uma língua popular muito difundida na época. O Novo Testamento foi escrito no grego koinê, e o apóstolo Paulo falava e escrevia fluentemente tanto o grego como o hebraico e o aramaico.

Utilizando o grego, Paulo teve uma formação básica em Tarso e, posteriormente, foi levado por seu pai, que era judeu e pertencia ao grupo dos fariseus em Jerusalém, para aprender e conhecer em profundidade a Torah aos pés do rabino Gamaliel. Aqui, é possível refletir acerca do uso das principais línguas do mundo (inglês, francês, espanhol, mandarim) para a obra da evangelização.


2. O mundo cultural do apóstolo Paulo. O Império Romano respeitava a diversidade religiosa, desde que se respeitassem os deuses do império. Em Roma, havia os cultos a entidades gregas como Eleusis, Dionísio, Atis, que se integravam com divindades egípcias como Osíris, Ísis, Serapis, bem como as divindades orientais Mitras e Asclépio, uma divindade de cura. Havia divindades da Ásia Menor sob o domínio do império em Éfeso, Colossos e Corinto, tais como Diana, Artemis e outras mais Essa diversidade religiosa acabou facilitando a propagação do nome de Jesus. pregado pelos apóstolos. A realidade atual das diversidades culturais e religiosas pode abrir caminhos para que, de maneira inteligente, evangelizemos o mundo, nos termos do apóstolo Paulo, no areópago de Atenas (At 17.15-34).


3. A influência da filosofia grega. Nesse mundo religioso havia a influência filosófica grega. Essencialmente, o Império Romano era politeísta e Paulo referiu-se a isso em 1 Corintios 8.5. A influência filosófica grega, especial mente do gnosticismo, era muito forte e acabou influenciando o pensamento de muitos cristãos daqueles dias. Os Líderes da Igreja da época tiveram de refutar com veemência as teorias do gnosticismo, cujos adeptos queriam misturá-las com a doutrina pura de Cristo. Naturalmente, pelo fato de ter vivido naquele mundo, Paulo teve de fortalecer a doutrina crista sobre Deus, fé, Jesus, Espirito Santo, graça e salvação. O apóstolo, indiscutivelmente, se tornou o grande defensor do Evangelho de Cristo. Como proclamadores do Evangelho, devemos pensar em estratégias a fim de que nossos jovens e adolescentes, bem como a maturidade cristã, possam expressar as razão da fé com mansidão e temor diante dos não crentes (1 Pe 3.15).


SÍNTESE DO TÓPICO II - O grego koiné era a principal lingua do tempo do apóstolo e, como mola propulsora da cultura grega, ela contribuiu para a propagação da mensagem escrita do Evangelho.

SUBSÍDIO PENSAMENTO CRISTÃO

“À medida que o cristianismo se expandia no mundo romano, a igreja Primitiva enfrentava muitas questões e desafios novos. Os pais escreveram e ensinaram, individualmente e em reuniões de concílios, no esforço de responder a essas questões. Muitas de suas soluções ainda formam um fundamento essencial para a reflexão teológica, a organização da igreja e a vida cristã. Entre as contribuições da Igreja Primitiva para a formação de uma cosmo visão cristã, quatro áreas foram particularmente importantes:

1) auto definição, quer dizer, a compreensão do que significa ser cristão em referência ao judaísmo,

2) a relação do cristianismo com a cultura não-cristã [grega], segundo reflexões feitas pelos apologistas ou defensores da fé,

3) a visão cristã de Deus e de Jesus Cristo nos primeiros concílios ecumênicos, e

4) a relação do cristianismo com o governo”(PALMER, Michael D. (Ed). Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.113).



CONHEÇA MAIS
O Evangelho no mundo gentílico “O Evangelho já havia sido pregado em Jerusalém, Judeia e Samaria. Desarraigado pela mão feroz de Saulo, o perseguidor, estabeleceu-se na grande cidade de Antioquia. O propósito do Evangelho era ser transplantado. Antioquia, que veio a ser um centro missionário, foi o ponto de partida para Paulo. Para ler mais, consulte a obra “Atos: E a Igreja se Fez Missões editada pela CPAD, p.145.

III – O MUNDO RELIGIOSO DE PAULO

1. Paulo se identifica como judeu. Em Atos 22.3, Paulo declara a sua defesa em Jerusalém, diante dos judeus que se opunham à sua mensagem, tratando-o como traidor da fé judaica: “Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilicia” Ele falava em hebraico para aquela plateia, quando todos esperavam que falasse apenas em grego. O apóstolo tinha o sangue de pais judeus. Seu pai era fariseu zeloso e influente na sinagoga em Tarso, e o criou para ser um fariseu, tanto quanto ele mesmo.


2. Paulo foi criado dentro da fé judaica. A circuncisão foi uma lei obedecida pelos pais de Paulo, que o circuncidaram aos oito dias de nascido (Fp 3.5). Uma vez que os judeus valorizavam muito as genealogias, o apóstolo se declarou da tribo de Benjamim. Dentro da fé judaica, Paulo se tornou um defensor ardoroso da Torah, e obedecia a todas as regras e leis requeridas, especialmente, pelos fariseus. Ele era um religioso extremamente zeloso, no sentido de cumprir piamente a lei de Moisés (Gl 1.14). O apóstolo deu testemunho de que havia sido instruído no conhecimento da Torah desde sua meninice aos pés do rabino Gamaliel, pois conhecia tudo de ritos, leis e regras que regiam o Santuário e Israel.


3. O mundo: palco da mensagem de Paulo ao povo gentílico. O mundo missionário dos apóstolos de Jesus restringia-se, numa visão inicialmente limitada, apenas ao povo judeu (At 11.19). Quando o Senhor convocou Paulo, o chamou pelas características de que precisava para disseminar o Evangelho no mundo gentílico. As culturas romana e grega que Paulo adquiriu, davam-lhe condições de peregrinar pelo mundo gentílico. Ele plantou igrejas na Galácia, Acaia e Ásia Menor. O apóstolo não se importava com status social, pois tinha bagagem cultural para entrar nos palácios, nos sinédrios judeus, nas praças do Areópago em Atenas. Portanto, o mundo dos gentios foi o palco que o Espirito Santo montou para que Paulo pregasse o nome de Jesus e estabelecesse novas igrejas por onde passasse. O mundo de hoje é esse mesmo palco que o Espirito Santo preparou para que preguemos o Evangelho com a graça de Deus.


SÍNTESE DO TÓPICO III - O apóstolo Paulo se identifica como judeu, pois ele foi criado dentro da Fé judaica.

SUBSÍDIO PENSAMENTO CRISTÃO

“Desde o principio, a Igreja recém-nascida achou-se num mundo multicultural. Seu contexto imediato e seus primeiros membros eram quase exclusivamente judeus. Uma preocupação inicial que a comunidade de crentes enfrentou dizia respeito à sua relação com o judaísmo do século I. O indivíduo tinha de se tornar judeu para ser verdadeiro seguidor de Jesus? A identificação com a comunidade de crentes livrava a pessoa de todas as expectativas tradicionais dos judeus? E as Escrituras dos judeus? Elas foram substituídas em todo ou em parte por Jesus Cristo?

Estas preocupações estavam em primeiro lugar na mente dos autores neotestamentários, especialmente de Paulo. Como ‘apostolo aos gentios, Paulo estava particularmente preocupado que fossem permitidos tanto aos gregos, aos bárbaros (os não-gregos), aos judeus e aos gentios, terem uma posição igual na comunidade de fé (Gálatas 3.28: Colossenses 3.11).” (PALMER, Michael D. (Ed) Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.113).



CONCLUSÃO


A cultura geral que Paulo adquiriu ao longo da vida tornou-o capaz de enfrentar os oponentes do Evangelho com ousadia e ciência. Diante de reis, governadores, tribunos e autoridades religiosas, o apóstolo era excelente orador e arguto no conhecimento de várias ciências. Paulo tinha uma personalidade forte e dinâmica, orientada por convicções profundas, e perseguia seus objetivos com desvelo e grande envolvimento emocional. O mundo do apóstolo foi o que Deus lhe abriu para que comunicasse o Evangelho de Cristo.


SUBSÍDIO DA IEADPE - LIÇÃO 01 – O MUNDO DO APÓSTOLO PAULO


INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o mundo da época do apóstolo Paulo; notaremos um pouco do contexto histórico de Roma, Grécia e Israel, salientando a cidade de Tarso como sendo a terra natal do apóstolo dos gentios; pontuaremos ainda Paulo como um judeu carente da revelação divina e um religioso cego, como um pecador como os demais e, por fim, veremos Paulo como um homem carente da graça de Deus.


I – O MUNDO NA ÉPOCA DE PAULO


Segundo Charles Fergusson Ball (2002, pp. 08,09), asseverou que nos dias de Paulo, toda a vida do mundo concentrava-se no Mediterrâneo. Todas as grandes civilizações desenvolveram-se junto ao mar cujo nome aludia ao centro da terra. A palavra Mediterrâneo é formada por dois vocábulos que, juntos, significam ‘o meio da terra’. Todos os interesses da vida humana achavam-se concentrados numa estreita faixa que se estendia pela costa sul da Europa, pela costa norte da África e pelas costas ocidentais da Síria e Palestina. Além dessa fronteira, havia regiões inexploradas, onde viviam povos bárbaros, que só entrariam na corrente da civilização anos mais tarde. Três nações da época foram suficientemente grandes e fortes para deixar sua marca sobre as demais: Roma, Grécia e Israel. Notemos:


1.1 Roma. Os romanos governavam o mundo. Conquistaram esse direito pela força dos seus exércitos. Eles possuíam o dom da colonização e do governo. Devido ao poder de suas legiões estacionadas em todas as colônias, eram os donos do mundo. Embora poderosos, não se aproveitavam dos povos conquistados; pelo contrário, procuravam integrá-los ao seu império, dando-lhes um lugar de honra. Tanto por sua grandiosidade quanto por sua fraqueza, os romanos deixaram na história a sua marca indelével. A seu favor deve ser dito que construíram o maior império que o mundo já viu.


1.2 Grécia. Se os romanos foram os líderes mundiais no tocante à lei e ao governo, os gregos lideraram na cultura e no conhecimento. A arte, a ciência e a literatura desenvolveram-se mais na Grécia que em qualquer outra parte. Embora o império fosse romano, a língua grega foi reconhecida como o idioma empregado pelas pessoas cultas. Os gregos eram um povo genial. Guiados por Alexandre, o Grande, conquistaram o mundo e procuraram helenizá-lo. Desempenharam tão bem sua tarefa que, mesmo após a morte de Alexandre e a divisão de seu império, uma porção da arte e da literatura gregas permaneceu em cada nação. Os professores e filósofos gregos eram os intelectuais reconhecidos da época. Eles divulgaram, em todas as nações, a literatura, arquitetura e pensamento científico de seu país.


1.3 Israel. A nação, porém, que mais marcou a civilização mundial foi Israel. Sua marca jamais se apagará. Embora os judeus não tivessem poderio militar, destacaram-se por sua religião. Dispersos por todas as terras, construíam sinagogas para adorar a Deus. Isso se dera devido ao fato de a Assíria, Babilônia e Roma terem invadido a Palestina, e levado daqui milhares de judeus para o cativeiro. Onde quer que fosse, o povo escolhido levava consigo as Sagradas Escrituras e as profecias de um Messias vindouro.


II – TARSO, A CIDADE DO APÓSTOLO PAULO


Paulo nunca escondeu a origem de sua terra natal. Tarso, onde Paulo nasceu e foi criado, era a capital e principal cidade da Cilícia, atual Turquia, na Ásia Menor. Nas próprias palavras do apóstolo Paulo, Tarso não era uma cidade qualquer: “Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia” (At 21.39-a). A expressão não pouco célebre significa, no grego “não insignificante”. Vejamos porque era uma cidade destacável:


2.1 Cidade cheia da cultura grega. Pouco antes da época do apóstolo Paulo, Tarso tinha atravessado um brilhante período de sua história, quando ela se tornou a Atenas do Mediterrâneo oriental, uma cidade universitária, para onde convergiam homens de erudição. Paulo, desde muito cedo, foi influenciado pela cultura grega enraizada em sua cidade. Isso depreendemos a partir de suas citações de filósofos (At 17.28; Tt 1.12), e, também do seu nome, que em hebraico é Saul, mas que por influência grega, era Saulo. Não é demais afirmar que sabia também falar o idioma grego.

2.2 Cidade dominada por Roma. A região de Tarso foi governada a princípio, pelos governantes selêucidas, como uma província. No entanto, quando Antíoco foi derrotado pelos romanos, a cidade de Tarso tornou-se parte de uma província romana. Na época, em que Paulo nasceu, primeiro século da era cristã, Tarso era colônia romana. Como tal, os seus habitantes desfrutavam de alguns privilégios dentre os quais a cidadania romana. A cidadania romana originalmente era restrita a nativos livres da cidade de Roma, mas, à medida que o controle romano da Itália e das terras do Mediterrâneo se ampliava, a cidadania era conferida a várias outras pessoas, de certas províncias seletas, que não eram romanos por nascimento. Por isso, quando questionado pelo tribuno: “... Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento” (At 22.27,28). Em outra ocasião também evocou esta cidadania (At 16.35-40). Devido a influência do latim na sua vida, Saulo também era chamado Paulo (At 13.9).


2.3 Cidade banhada pela religiosidade judaica. Por certo, havia uma sinagoga em Tarso. Paulo sendo, descendente de hebreus adquiriu uma herança nacional, cultural e religiosa. Segundo o seu próprio relato:


a) Judeu de nascimento. Ele não era um judeu prosélito; ele nasceu judeu e era um membro da raça que havia recebido o rito da circuncisão no tempo estabelecido pela lei (Gn 17.12; Lv 12.3; Fp 3.5).


b) Da linhagem de Israel. Paulo pertencia ao povo eleito, o povo do concerto, o povo exclusivamente privilegiado (Êx 19.5,6; Nm 23.9; Sl 147.19,20; Am 3.2; Rm 3.1,2; 9.4,5). Era da linhagem de Benjamim, um dos doze filhos de Jacó, a tribo de onde veio o primeiro rei de Israel, Saul. Por certo, seu nome hebreu Saulo era em homenagem a este rei. A tribo de Benjamim, não aderiu a rebelião das dez tribos, mas conservou-se com Judá sob a liderança davídica (1Rs 12.21).


c) Da seita mais rigorosa do judaísmo. Paulo era fariseu, membros da seita mais fervorosa e severa na obediência à lei de Moisés: “segundo a lei, fui fariseu” (Fp 3.5). Confira também (At 26.5). A palavra fariseu no grego “farisaios” significa: “separado”. Essa seita do judaísmo pregava a separação da vida comum e das tarefas comuns para consagrar suas vidas à observância minuciosa dos detalhes da Lei. Paulo falava a língua hebraica (At 21.40). Embora tenha nascido na cidade pagã Tarso, foi para Jerusalém e educou-se aos pés de Gamaliel (At 22.3). Era de uma pessoa como esta que Jesus necessitava, um judeu hábil no Antigo Testamento, que falava o grego e com nacionalidade romana para poder introduzir o evangelho aos povos. Segundo Champlin, “nenhum outro homem, daquela época da história, combinava essas características tão harmoniosa quanto Paulo de Tarso. Seu meio ambiente talhou-o para esse propósito” (2004, p. 323).


III – PAULO UM JUDEU CARENTE DA REVELAÇÃO DIVINA


3.1 Paulo um religioso judeu cego. Em seu extremado zelo religioso, Paulo estava cego para a realidade de que o Jesus de Nazaré que ele combatia, era o Cristo prometido nas Escrituras do AT. Por isso, consumido pelo zelo sem entendimento perseguiu este caminho até a morte (At 22.4). Escrevendo as igrejas da Galácia, testemunhou: “Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava” (Gl 1.13). Diante do rei Agripa, ainda asseverou: “Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno; e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam. Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia” (At 26.9-11).


3.2 Paulo um pecador como qualquer outro. Em seus ensinos Paulo sabia da universalidade do pecado: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Ele sabia que, mesmo tendo sido criado sob a Lei, e que o mandamento era santo, justo e bom (Rm 7.12), a Lei não tinha o objetivo de salvar, pois seu objetivo era nomear o pecado (Rm 7.7,8). Paulo também via em si mesmo uma outra lei que o impelia a fazer o mal e que jamais dela poderia se livrar, exceto por Cristo Jesus (Rm 7.14-25). Paulo, passou a dizer que a a Lei é o aio (condutor) que nos leva a Cristo Jesus (Gl 3.23-25).


3.3 Paulo, um homem carente da graça. Paulo, como todo judeu, pensava alcançar a justiça de Deus pela obediência da Lei, até que confrontado por Cristo, entendeu que o homem é justificado pela fé e não pelas obras “[...] não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp 3.9-b). Paulo se tornou o principal instrumento para transmitir o pleno significado da graça em Cristo. Não é de admirar que mais tarde ele viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça”. Com maestria, ele nos falou sobre a graça de Deus de forma abundante (Rm 1.5,7; 3.24; 4.4,16; 5.2; 5.15,17,18; 5.20; 5.21; 11.6). Ele afirmou que pela graça foi salvo (1Tm 1.13,14); que pela graça de Deus era o que era (1Co 15.10-a); e, por fim, que trabalhou mais que os outros apóstolos (1Co 15.10-b).


CONCLUSÃO


Esta lição nos mostrou os três “mundos” do apóstolo Paulo: o romano, o grego e o judeu. Vimos que o apóstolo se comunicou na língua predominante da época, o grego koiné, bem como fez uso da vasta literatura de seu tempo e, a soma de tudo isso serviu ao Espirito Santo para que a vida do apóstolo fosse usada integralmente para a causa do Evangelho.


REFERÊNCIAS


• BALL, Charles Ferguson. A vida e os tempos do apóstolo Paulo. CPAD.

• BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça. VIDA NOVA.

• CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.

• HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.

• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

• VINE, E. W; et al. Dicionário Vine. CPAD.




Introdução


A prisão, condenação e morte de Jesus resultaram das perseguições das autoridades religiosas de Jerusalém. Desde então, os discípulos tiveram que se esconder, e o ambiente continuava hostil contra os seguidores de Cristo. Depois do Pentecostes, aumentaram ainda mais a rejeição e o ódio contra os discípulos de Jesus. Com o poder do Espírito recebido no Pentecostes, os discípulos de Jesus tornaram-se mais ousados, e o número de discípulos foi crescendo de modo espantoso.

A História da Igreja, iniciada no Pentecostes, narra as primeiras incursões dos apóstolos, com a missão de levar a mensagem do evangelho a todas as partes de Jerusalém, da Judeia e da Galileia. Jerusalém tornou-se o centro motivacional da propagação do Cristo ressurreto. A igreja, constituída pelos primeiros seguidores de Cristo, cheia do Espírito Santo, não se restringiu a Jerusalém, mas, conforme narra o livro de Atos, a igreja expandiu-se para além de Jerusalém, Judeia e, também, Samaria. O poder da mensagem do Cristo Ressurreto extrapolou as dimensões geográficas da Palestina e foi para as regiões gentílicas do Império Romano.

Dos muitos discípulos que se tornaram pregadores do evangelho de Cristo, alguns se destacaram, entre os quais Barnabé e Estêvão. A igreja, formada em Jerusalém (Ats 2.42), tinha tudo em comum (Ats 2.44). Depois da instituição dos diáconos (Ats 6.1-7), havia entre eles dois que se destacaram falando de Cristo. Foram eles: Estêvão e Filipe (Ats 8.26-32); este, cheio do Espírito Santo, começou a realizar milagres e prodígios entre o povo. Alguns da sinagoga tiveram dificuldades para aceitar o ministério de milagres de Estêvão e, então, começaram a questioná-lo e discutir com ele, mas diz Lucas “que não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (Ats 6.10). Seu discurso foi uma demonstração de sabedoria e autoridade que encheram os fariseus helenistas de ódio. Começaram, então, a caluniar e mentir contra Estêvão, até prenderem-no e levarem-no perante o conselho dos anciãos e sacerdotes (Ats 6.8-15). O discurso de Estêvão foi tão vigoroso e contundente que aqueles homens enfurecidos apedrejaram-no e mataram-no (Ats 7.2-57). A certa distância, estava o jovem rabino Saulo de Tarso, que apoiou o ato de violência contra Estêvão. Os seus algozes tomaram os seus vestidos manchados de sangue e colocaram-nos aos pés de Saulo de Tarso (Ats 7.58).

Foi a partir desse assassinato de Estêvão que Saulo de Tarso, dominado por um zelo destruidor, tomou coragem para perseguir os cristãos, pois era o modo de ele chamar a atenção do povo e das autoridades religiosas de Jerusalém. Foi, de fato, o discurso de Estêvão que emudeceu Saulo de Tarso, fazendo dele um perseguidor implacável contra a igreja. Saulo gozava de prestígio religioso e cultural entre os judeus e, por isso, ganhou “carta branca” das autoridades religiosas para perseguir os seguidores de Cristo.


I – Saulo de Tarso: o Perseguidor Implacável


1. Saulo Descreve-se como Blasfemo, Perseguidor e Insolente (1 Tm 1.13)


De acordo com as suas cartas e epístolas, antes de ser um cristão, ele foi um ativo perseguidor da igreja. Como um fariseu fanático, Paulo acreditava que seu papel no mundo seria o de destruir a fé cristã, matando e prendendo os seguidores de Cristo. No registro de Atos, está escrito que ele “assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (Ats 8.3). Sua postura arrogante fazia-o usar da truculência física praticando atos de violência contra pessoas simples, homens e mulheres, sem exercer qualquer tipo de compaixão. Ele acreditava piamente que estava agradando a Deus. Ele usava dos meios legais apoiado pela casta sacerdotal que odiava o nome de Jesus para praticar esses atos de violência contra as pessoas que eram seguidoras de Cristo. Por sua truculência, os seguidores de Jesus tiveram de fugir para outras cidades, porque o famoso e duro Saulo de Tarso, respaldado pelas autoridades políticas e religiosas, respirava ameaças e mortes contra os discípulos de Jesus. Seu ódio contra Jesus e seus discípulos era tanto que ele não via dificuldade para prender, manietar e arrastar presos para Jerusalém os que professavam o nome de Jesus (Ats 9.1,2).

Lawrence O. Richards declara:

O ódio continuado de Saulo pelos cristãos como hereges está refletido em seu pedido por cartas do sumo sacerdote, que o autorizassem a prender quaisquer cristãos que ele encontrassem em Damasco. Mas como o sumo sacerdote poderia ter jurisdição sobre os cidadãos de Damasco?

No Império Romano, os grupos étnicos eram considerados como governados pelas leis de suas próprias nações, mesmo quando eles se mudavam para terras estrangeiras. Assim, os quase seis milhões de judeus espalhados pelo Império Romano ainda estavam sujeitos às leis do Sinédrio em Jerusalém. As cartas do sumo sacerdote a Paulo seriam consideradas, pelas autoridades de Damasco e pela comunidade judaica, como uma autorização adequada para aprisionar qualquer judeu cristão e levá-lo de volta a Jerusalém para julgamento. (RICHARDS, 2007, p. 264)

Para um homem que tinha a cultura que Paulo possuía parece um contrassenso, porque se esperava dele uma atitude mais racional. Mas Saulo de Tarso estava embebedado pela soberba e arrogância.


2. Descrição das Ameaças de Saulo de Tarso


Seu ódio contra os seguidores de Jesus fez com que ele fosse a Damasco, uma vez que havia uma grande população judaica naquela cidade. Os pesquisadores dizem que havia um número de 30 a 40 sinagogas em toda a Damasco. Quando Saulo resolveu ir a Damasco em busca de outros cristãos para prendê-los era porque esses cristãos certamente fugiram de Jerusalém para escapar à perseguição.

A expressão “respirando ameaças e morte” (Ats 9.1) descrevia, figurativamente, a Saulo como uma fera selvagem que ameaça sua presa. No texto de Atos 9.21, Saulo era visto como um exterminador, porque tinha prazer em conduzir os cristãos às prisões, além de permitir que fossem açoitados. Ele não poupava ninguém que fosse seguidor da doutrina de Cristo. Os motivos que levaram a Saulo tornar-se um perseguidor inclemente contra os seguidores de Cristo era o zelo destrutivo que ele tinha pela Torá. Ele considerava um escândalo o anúncio dos cristãos de que um crucificado pudesse ser o Messias prometido pelos profetas do Antigo Testamento. A ideia era de que alguém que fosse suspenso no madeiro (numa cruz) estaria sob a maldição de Deus (Dt 21.23), e, por isso, para Saulo, Jesus foi um blasfemo e não podia ser o Messias, pondo em dúvida tudo o que ele cria. Na realidade, Saulo era “um touro bravo” que ninguém conseguia deter. Ele negava aos discípulos de Jesus o direito de existência dentro da comunidade judaica. Saulo rejeitava a ideia de que Jesus fosse o Messias prometido. Rejeitava a ideia de um Cristo que foi humilhado, rejeitado e crucificado, pois, na sua mente, o Messias não podia ser vencido pelos homens (Is 53.1-5). Posteriormente, ele tem um encontro poderoso com o Senhor Jesus e ficou completamente cego pela luz radiante. Então, ele converte-se e descobre que Cristo assumiu a maldição da Lei, da Torá, e, por isso, Cristo resgatou-nos da maldição da Lei (Gl 3.13).


3. Saulo de Tarso: um Perseguidor que Torturava as suas Vítimas


Alguns estudiosos da história do cristianismo declaram que Paulo empregava a tortura psicológica nas suas perseguições aos cristãos. Significa que ele submetia as suas vítimas não apenas com tortura física para obrigá-las a negarem a fé cristã, mas também as torturava psicologicamente. Em Atos 26.11, ele mesmo declara: “E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui”.

Parece um exagero retórico afirmar que Saulo de Tarso torturava aqueles a quem prendia e mandava açoitar, mas é o que ele mesmo declara em seu testemunho depois da conversão. Por sua inteligência inflamada pelo ódio contra Jesus e os seus seguidores, Saulo não castigava apenas fisicamente, mas ele também empregava a tortura psicológica para induzir suas vítimas a confessar o que não queriam. Em Atos 26.10,11, ele mesmo diz: “o que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando os matavam, eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui”.

Em 1 Timóteo 1.13, ele mesmo declara que havia sido “um blasfemo, e perseguidor, e opressor”. Apesar de toda a violência empregada com açoites, prisões, apedrejamentos e morte, muitos daqueles fiéis a Cristo não negaram o nome de Jesus (Ats 26.10). No início da igreja evangélica no Brasil, nossos pioneiros sofreram toda sorte de perseguição e violência. Para arrancar confissões e declarações, torturavam nossos pioneiros. Vi meu pai, o pastor Osmar Cabral, ser levado para a cadeia em Chapecó-SC em 1954, porque pregava uma doutrina que a igreja romana não aceitava. O que dizer de Daniel Berg e Gunnar Vingren e dos primeiros pastores dos primórdios dias da Assembleia de Deus no Brasil?


II – Saulo de Tarso Foi um Perseguidor da Igreja de Cristo


No texto de 1 Coríntios 15.9, o apóstolo Paulo diz que perseguiu a igreja de Deus e, é claro, que tratava da igreja em Jerusalém. Essa perseguição de Saulo de Tarso à igreja abrangeu outros lugares, pois ele “assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (Ats 8.3). Essa perseguição em Jerusalém fez com que muitas famílias de cristãos fugissem para outras cidades, e uma delas era Damasco. A perseguição implacável de Saulo de Tarso contra o nome de Jesus atingia não só as pessoas que professavam a fé em Cristo, mas também à igreja como instituição divina. Quando ele “respirava ameaças e morte” (Ats 9.1) contra os seguidores de Cristo, sua intenção era a de acabar de uma vez com a “Igreja”. Ao atacar a igreja, ele focava seu ataque e perseguição às pessoas que representavam a Igreja de Cristo. Foi desse modo que Saulo de Tarso foi obrigado a entender que havia entre os discípulos e apóstolos de Jesus um homem arguto e defensor do nome de Jesus chamado Estêvão.


1. O Confronto Acadêmico entre Saulo de Tarso e Estêvão

A pregação de Estêvão, que era um homem cheio do Espírito Santo, foi tão persuasiva e erudita que deixava todos os seus ouvintes admirados. Sua erudição e conhecimento do judaísmo foram capazes de fazer frente à erudição de Saulo, outro acadêmico que atraía as pessoas para ouvi-lo. Saulo não teve um encontro pessoal com Estêvão, mas o discurso de Estêvão foi tão contundente e cheio de conhecimento que fez sombra sobre Saulo de Tarso. Ora, Saulo havia adquirido conhecimentos gerais na Grécia, em Roma e em Jerusalém, e isso o enchia de arrogância para desafiar qualquer oponente. Porém, ele deparou-se com o discurso de Estêvão, que era não apenas um erudito em Judaísmo, mas também sabia confrontar ideias. O texto de Atos 6.9,10, diz: “E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos Libertos, e dos cireneus, e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava”. Estêvão, cheio do Espírito Santo, podia fazer frente aos chefes religiosos, aos fariseus e saduceus, os herodianos e, também, a Saulo de Tarso, como alguém que conhecia a história do seu povo e era profundo conhecedor da teologia judaica.

“E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos Libertos, e dos cireneus, e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (Ats 6.9,10).

Em seu poderoso sermão, Estêvão apontava para Jesus Cristo como o clímax da revelação redentora para o mundo pecador. Saulo de Tarso, outro erudito na Torá, estava convicto de sua capacidade de debater matérias, especialmente as que tratavam das leis e ritos judaicos da Torá. Nesse contexto de mentes inflamadas, Saulo de Tarso, arrogante pela autoridade delegada pelos chefes religiosos de Jerusalém para agir com truculência contra os discípulos de Jesus, não teve escrúpulos para agir com violência. Por outro lado, Saulo não era tão conhecido em Jerusalém, senão pelas autoridades religiosas dos sacerdotes. Por isso, respaldado pelos oponentes de Jesus, ele estava pronto para perseguir e prender os seguidores de Cristo. Seu discurso inflamado contra os seguidores de Jesus o fez deparar-se com outro discurso ainda mais forte que Saulo não tinha como contestar. Em Atos 6.10, o texto diz que “não podiam resistir à sabedoria e ao espírito com que Estêvão falava”. Os inimigos de Cristo ficaram tão irritados contra Estêvão que incitavam o povo a dizer: “ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus” (Ats 6.11). Enfurecidos com as palavras de Estêvão, que os chamou de “incircuncisos e de dura cerviz” (Ats 6.5), levaram-no a um local de apedrejamento e, sem compaixão alguma, apedrejaram-no até a morte com o consentimento de Saulo de Tarso (Ats 7.59,60).


2. Como Saulo de Tarso Perseguia a Igreja?


A perseguição foi tão forte e persistente que muitos cristãos tiveram que fugir de Jerusalém com receio das investidas violentas de Saulo de Tarso. Ele manietava aqueles que encontrava, especialmente os que iam à sinagoga e pregavam a Cristo, o Crucificado (Ats 9.21). Ele não tinha escrúpulos com mulheres e nem crianças. Ele prendia-os e mandava açoitá-los (Ats 22.5). Paulo entendia que, cometendo essas barbáries, atos de selvageria e crueldade, ele estaria defendendo a fé judaica e libertando-a dos hereges. A Igreja de Cristo, mais conhecida naqueles dias como “os do Caminho” ou “seguidores de Jesus”, era o alvo do ataque de Saulo de Tarso. Entretanto, esse homem, cego pelo radicalismo fariseu, não podia entender que a Igreja não era uma mera instituição humana. A existência da Igreja deve sua realidade ao Senhor Jesus, pois Ele é o seu construtor. Para revelar o futuro da Igreja, depois da sua obra expiatória, Jesus mesmo disse a Pedro em seu ministério terrestre: “Edificarei a minha igreja” (Mt 16.18). Saulo de Tarso só foi entender esse mistério de Cristo e sua Igreja depois da revelação pessoal de Cristo que o levou à mudança de atitude e de rumo, convertendo-se a Cristo. Depois de anos de ministério, Paulo chegou a essa consciência e ele mesmo disse: “[...] sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava” (Gl 1.13).


Conclusão


Antes da conversão a Cristo, Saulo perseguiu as primeiras comunidades de crentes, e, certamente, Jerusalém foi o lugar da perseguição inicial de Saulo de Tarso (Ats 8.3; 9.1,2 e 22.19). Na Judeia, por exemplo, ouvia-se falar entre os cristãos que o antigo perseguidor estava anunciando agora a fé cristã - claro, já algum tempo depois de sua conversão (2 Co 2.16; Rm 15.31). Porém, o que chama a atenção nessa história é quando o perseguidor converte-se numa experiência dramática, que o deixou cego por três dias, e torna-se, depois da oração de Ananias, um pregador do evangelho. Antes dessa experiência no caminho de Damasco, a mente de Saulo não aceitava a ideia de que um crucificado seria mesmo o prometido. Quando Paulo descobriu o mistério do Calvário, o antigo escândalo da crucificação tornou-se a revelação da obra salvadora. Para Saulo de Tarso, a ideia de um Messias crucificado, alguém que assumiu a maldição do pecado, era chocante, porque o Messias viria para ser Rei e Senhor apenas. Paulo tendeu pelo Espírito o mistério do Calvário e, por isso, tornou-se um pregador do Cristo crucificado.

A igreja existente é fruto dessa obra expiatória de Cristo; por isso, se ela fosse uma mera organização humana, já teria acabado há muito tempo. Mas a Igreja é uma instituição divina; por isso, ela subsiste ao longo dos séculos e subsistirá até a vinda gloriosa de Cristo para arrebatá-la.


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