Lição 02: Saulo de Tarso, o Perseguidor
- José Menezes
- 4 de out. de 2021
- 24 min de leitura

HINOS SUGERIDOS: 126, 377, 608 da Harpa Crista
OBJETIVO GERAL
Conscientizar a respeito do problema da perseguição aos cristãos no mundo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
Elencar as características persecutórias de Saulo;
Expor a respeito da perseguição contra a igreja em Atos:
Esclarecer a respeito de um sistema contra a Igreja.
Texto Áureo
E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote.” (At 9.1)
Verdade Prática
A Igreja é uma instituição divina que perdurará na Terra até o arrebatamento, pois do contrário, já teria acabado ao longo da história.
LEITURA DIÁRIA
Segunda – 1 Tm 1.13 Saulo: blasfemo, perseguidor e opressor
Terça – At 9.1,2 Saulo “respirava ameaças e morte”
Quarta – Dt 21.23 Para ele, quem fosse para o madeiro “não podia ser o Messias”
Quinta – Gl 3.13 Saulo descobriu que Jesus se fez maldição por nós
Sexta – At 6.8-10; 7.51-53 Estevão: Um discurso que se deparou com o de Saulo
Sábado – At 26.10,11 O método de perseguição
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 8.1-3; 22.4-5; 26.9-11
Atos 8 1- E também Saulo consentiu na morte dele [Estevão]. E fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto os apóstolos. 2- E uns varões piedosos foram enterrar Estevão e fizeram sobre ele grande pranto. 3- E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.
Atos 22 4- Perseguiu este Caminho até a morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres, 5- como também o sumo sacerdote é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados.
Atos 26
9- Bem tinha eu imaginado que contra r o nome de Jesus, o Nazareno, devia eu . praticar muitos atos,
10- o que também fiz em Jerusalém. E, e havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando os matavam, eu dava o meu voto contra eles.
11 – E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente e contra eles, até nas cidades estranhas os persegui.
• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Com o objetivo de preparar os alunos para a aplicação do conteúdo desta lição, inicie falando a respeito da perseguição dos cristãos no mundo. Se possível, informe-se a respeito desse tema em sites especializados de noticias que abordam o terrível quadro de perseguição cristã no mundo. Pro ponha um momento de oração, mostrando a relevância de rogar a Deus por livramento de irmãos que hoje estão debaixo de perseguição mundial. Não podemos fechar os olhos para esse quadro. As vezes, porque vivemos em um ambiente de aparente tolerância religiosa, corremos o risco de pensar que é assim em outros lugares da Terra. Portanto, aproveite essa oportunidade para conscientizar a sua classe acerca dessa terrível realidade.
INTRODUÇÃO
A história da expansão da Igreja no livro de Atos mostra um fariseu zeloso: Saulo de Tarso. Este tinha prestígio religioso e cultural entre os judeus. Por isso, ele ganhou “carta branca” das autoridades religiosas para perseguir os seguidores de Jesus e, assim, tornar-se um implacável perseguidor da Igreja de Cristo do primeiro século. É o que estudaremos nesta lição.
PONTO CENTRAL: No mundo de hoje há perseguição contra os cristãos
I- SAULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL
1. Saulo se descreve como “blasfemo”, “perseguidor” e “opressor” (1 Tm 1.13). Como um fariseu fanático, Saulo tinha a convicção de que seu papel era destruir a fé cristã, matando e prendendo os seguidores de Jesus. Sua postura arrogante o fazia ser truculento, usando grande violência contra pessoas simples, homens e mulheres, sem qualquer compaixão. Ele acreditava piamente que, com esse comportamento, estava agradando a Deus. Apoiado pela casta sacerdotal que odiava o nome de Jesus, Saulo usava dos meios legais para atacar os cristãos. Por causa de sua truculência, os seguidores de Jesus tiveram que fugir para outras cidades. O perseguidor “respirava ameaças e morte” contra os discípulos de Jesus (At 9.1) e, por isso, não via problemas em prender e do de arrastar presos para Jerusalém os que professavam o contra nome do Nazareno (At 9.2).
2. As ameaças de Saulo de Tarso. A expressão “respirando ameaças e morte” (At 9.1) descreve Saulo, de maneira figurada, como uma fera selvagem que ameaça sua presa. No texto de Atos 9.21, o perseguidor era visto como um exterminador, pois conduzia os cristãos às prisões, além de permitir que fossem açoitados. Ele não poupava ninguém que seguisse a doutrina de Cristo.
3. Por que Saulo perseguia os cristãos? Os motivos que levaram Saulo a se tornar um perseguidor inclemente contra os seguidores de Cristo, eram o zelo destrutivo pela Torah e o suposto fato religioso de que Jesus talvez fosse um “blasfemo”. Para Saulo, o anúncio de que um crucificado pudesse ser o Messias prometido pelos profetas do AT era um escândalo. Ora, quem fosse suspenso no madeiro (cruz), de acordo com a Lei, estava sob a maldição divina (Dt 21.23). Por isso, nosso Senhor não passava de um blasfemo para Saulo. Mais tarde, por ocasião de sua conversão, ele descobre que Cristo assumiu a maldição da Lei e, por isso, nos livrou dessa maldição (Gl 3.13).
SÍNTESE DO TÓPICO I - Saulo ameaçava a igreja, não por acaso, ele se descreve como blasfemo, perseguidor e opressor.
SUBSÍDIO PEDAGÓGICO
Antes de iniciar a aula desta semana, faça uma pequena recapitulação da aula passada. É muito importante que os alunos tenham uma percepção da concatenação dos assuntos. Jamais deixe que o conteúdo fique solto na imaginação dos alunos. O trabalho do professor e da professora é trazer unidade ao tema e aplicá-la à realidade dos alunos. Outrossim, procure aplicar esse método de recapitulação ao longo de todo o trimestre. Portanto, cuide da concatenar as ideias e, ao mesmo tempo, expressar a unidade da revista
II- A PERSEGUIÇÃO CONTRA A IGREJA DE CRISTO
1. Contra os seguidores de Jesus. A perseguição de Saulo contra Jesus era uma perseguição contra a Igreja, o Corpo de Cristo, uma instituição divina. Ao passo que ele “respirava ameaças e morte” (At 9.1) contra os seguidores de Cristo, sua intenção era acabar de vez com “a Igreja”. Ao atacá-la, atingiu as pessoas que representavam Cristo, dentre as quais havia um homem arguto, defensor do nome de Jesus e cheio do Espírito Santo, cujo nome era Estevão.
2. Saulo de Tarso e Estevão. Se por um lado Saulo era um erudito que chamava atenção, devido à sua cultura judaica, greco-romana e autoridade na Torah, Estevão era um erudito do Judaísmo com uma grande capacidade do Espirito para confrontar ideias contrárias aos ensinos de Jesus (At 6.9.10; 7.2-53). O primeiro mártir da Igreja era um homem cheio do Espírito Santo, conhecedor profundo da história de seu povo e da teologia judaica. Por isso, quando apontava para Jesus Cristo como clímax da revelação redentora para o mundo, o fazia com autoridade.
O discurso inflamado de Saulo, e respaldado pelos oponentes dos seguidores de Jesus, deparou-se com outro discurso, mas este proveniente da sabedoria do Espirito (At 6.10). Essa autoridade espiritual de Estevão atraiu a ira dos inimigos de Cristo (At 6.5.11; 7.55). Por isso, com o pleno consenti mento de Saulo (At 8.1), eles o apedrejaram até a morte (At 7.59,60). Mas se por um lado eles mataram Estevão; por outro, potencializaram a mensagem do primeiro mártir da Igreja.
3. Uma intolerância religiosa e política contra a igreja atual. A igreja atual continua a despertar fúrias de certas autoridades políticas e religiosas que não aceitam a mensagem de liberdade e vida que o Evangelho proporciona. Nossos irmãos, que servem a Deus em países políticos e religiosamente fechados para o Evangelho, continuam a pagar, com a própria vida, a fidelidade à mensagem de Cristo. Oremos pela igreja perseguida!
SÍNTESE DO TÓPICO II
A perseguição de Saulo contra Jesus era uma perseguição contra a Igreja de Cristo.
SUBSÍDIO APOLOGÉTICO
Além da perseguição tradicional aos cristãos, há a perseguição mais sofisticada, que se dá no campo cultural. Por exemplo, quando tentam reduzir a vivência da fé à vida privada dos cristãos, trata-se de uma perseguição cultural e ideológica. Ora, do ponto de vista filosófico, o ser humano é um ser religioso. Do ponto de vista antropológico-teológico, o ser humano é imagem de Deus e, por isso, tem uma centelha divina dentro dele que o impulsiona à busca por Deus, embora, como afirma a nossa Declaração de Fé, essa imagem divina esteja distorcida e corrompida. A necessidade de buscar a Deus é própria do ser humano. Impedir essa iniciativa livre e pública é impedir a livre manifestação da condição de ser humano. Por isso que, ao longo da história, a perseguição aos cristãos viola os direitos humanos. Ou seja, a partir do momento que autoridades, intelectuais, jornalistas, artistas exigem que os cristãos não tenham o direito de expressar os seus valores, princípios e doutrinas que perpassam a dinâmica da vida e fazê-lo em qualquer espaço da sociedade, há sim uma violação aos direitos mais nobres do ser humano. Não é possível exigir dos cristãos que escondam a sua fé, isto é, que deixem de falar o que eles têm visto e ouvido. Tentaram fazer isso com os apóstolos Pedro e João: “E, chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus” (At 4.18); mas suas respostas foram taxativas: “Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: Julgai vás se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.19,20).
III- QUANDO UM SISTEMA SE VOLTA CONTRA A IGREJA
1. Como era a perseguição contra os primeiros discípulos? Saulo de Tarso liderou uma perseguição continua e violenta. Ele prendia os primeiros cristãos, mandava açoitá-los e não havia escrúpulos mesmo com mulheres e crianças (At 9.21; 22.5): “sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a devastava” (GL 1.13). Saulo entendia que praticar essas barbáries era defender a fé judaica, livrando os judeus dos hereges, exata mente nos moldes de que Jesus havia alertado os discípulos: “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus” (Jo 16.2).
2. Perseguição, tortura e método. Parece exagero afirmar que Saulo de Tarso torturava os primeiros cristãos, mas é o que ele mesmo declara em seu testemunho pós-conversão. Além de castiga-los fisicamente, ele empregava a tortura psicológica para induzi-los a blasfemarem (At 26.10.11). Entretanto, apesar da violência empregada com açoites, prisões, tortura psicológica, apedrejamento e mortes, muitos dos discípulos fiéis a Cristo não negaram o nome de Jesus.
3. Perseguição aos pentecostais. No início do Movimento Pentecostal no Brasil, nossos pioneiros sofreram toda sorte de perseguição e violência. Muitos deles sofreram agressões físicas e psicologias. Tudo isso porque pregavam uma doutrina que a religião oficial não aceitava. O que dizer de Daniel Berg e Gunnar Vingren, os primeiros pastores dos primórdios das Assembleias de Deus no Brasil? E tantos outros irmãos perseguidos nesses rincões brasileiros? Ao olhar para o passado, devemos enxergar o presente e conscientizar-se de que a obra pentecostal custou alto preço.
SÍNTESE DO TÓPICO III
A perseguição contra os primeiros cristãos envolvia açoites, prisões e constrangimentos.
SUBSÍDIO MISSIOLÓGICO
Há obras e sites especializados que se dedicam em retratar o fenômeno contemporâneo da perseguição aos cristãos. Muitos são os relatos das grandes dificuldades que nossos irmãos passam em países por causa de sua fé. Além do tema da perseguição aos cristãos nos países mulçumanos, há análises abundantes a respeito da igreja nos países sob “os poderes comunistas remanescentes”, esses países são a China, o Vietnã, Laos, Cuba e Coreia do Norte. Em épocas passadas, esses países cometeram crimes bárbaros contra todas as religiões, incluindo os cristãos. Isso se dava porque esses regimes, sob óculos ideológicos, viam nas religiões, como o Cristianismo, um obstáculo para o progresso do regime de poder.
Por esse motivo, cristãos foram martirizados, igrejas foram devastadas, missionários forçados aos trabalhos forçados. Os países desse regime, bem como os de regimes religiosos, de religião islâmica e outras, injustiçada muitos de nossos irmãos. Hoje, alguns desses países usam uma tática diferente. Há países que, devido seu maiores envolvimentos com a economia global, não executam a matança em massas de cristãos, mas coloca a vida deles sob rígida vigilância. Entretanto, o que o regime considera ilegal, trata os cristãos supostamente fora da lei com prisão e brutalidade. Há outros regimes que nem aparência de civilidade ha. Por isso, oremos pela igreja perseguida!
CONCLUSÃO
Se a Igreja fosse uma mera organização humana, já teria acabado. Mas é uma instituição divina, edificada pelo próprio Cristo e, por isso, a Igreja subsiste ao longo dos séculos e continuará a subsistir até a vinda gloriosa de Jesus
SUBSÍDIO DA IEADPE - LIÇÃO 02 – SAULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR
LIÇÃO 02 – SAULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR - 4º TRIMESTRE 2021
(At 8.1-3; 22.4,5; 26.9-11)
INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos os primórdios da perseguição contra a pessoa do próprio Senhor Jesus; citaremos as suas advertências aos seus servos quanto as perseguições que enfrentariam; estudaremos sobre Paulo de Tarso, o perseguidor da igreja; pontuaremos quais foram as perseguições que ele enfrentou depois de sua conversão a Cristo; e, por fim, falaremos sobres as diversas áreas que a igreja vem enfrentando grandes perseguições ao longo dos séculos.
I - OS PRIMÓRDIOS DA PERSEGUIÇÃO DA IGREJA
1.1 A perseguição a igreja nos tempos de Jesus. A prisão, condenação e morte de Jesus resultaram das perseguições das autoridades religiosas de Jerusalém. Podemos afirmar que as perseguições a Igreja começaram muito antes de Paulo: “E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isso, buscavam ocasião para o matar [...]” (Mc 11.18). Durante o seu ministério aqui na terra, o Senhor Jesus advertiu seus discípulos que chegaria a hora em que qualquer pessoa que os perseguissem, e os matassem, pensariam estar fazendo um serviço à Deus: “Tenho-vos dito estas coisas para que vos não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus” (Jo 16.1,2).
1.2 Jesus foi perseguido e preveniu os discípulos acerca das perseguições. Já no seu primeiro discurso público, o Senhor Jesus exclamou sobre as perseguições (Mt 5.10-12). Jesus foi muito transparente ao afirmar que as perseguições são uma realidade na vida de quem abraça o seu evangelho: “Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim [...]” (Mt 10.17,18,22,23a; Jo 15.19,20). Ele fez questão de avisar aos seus discípulos quanto as grandes perseguições que enfrentariam: “[...] Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós [...]” (Jo 15.20). A igreja de Cristo não está imune às perseguições: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tm 3.12).
II – PAULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR DA IGREJA
2.1 Paulo foi perseguidor da igreja por causa da sua religiosidade. Ele mesmo declara que havia sido: “blasfemo, perseguidor e “opressor” (1Tm 1.13), ele “assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (At 8.3). Por ser fariseu (At 23.6; 26.5), amava o judaísmo e odiava tudo que ameaçava sua existência. Por esta razão, via os discípulos de Jesus como inimigos, tornando-se, segundo ele mesmo, perseguidor da Igreja (Fp 3.6). Em Atos 26 ele confessa ter sido opositor do nome de Jesus (v. 9), carrasco de muitos santos (v. 10), violento (v. 11a), furioso (v. 11b) e perseguidor implacável (v. 11c). Vale salientar que ele perseguia o próprio Jesus, ao hostilizar a Igreja (v. 14). Paulo não castigava apenas fisicamente, mas ele também empregava a tortura psicológica para induzir suas vítimas a confessar o que não queriam (At 26.10,11).
2.2. Paulo foi perseguidor da igreja por causa do seu radicalismo. Paulo se tornou um instrumento nas mãos dos sacerdotes e anciãos para perseguir a Igreja (At 22.5). Paulo entendia que, cometendo essas barbáries, atos de selvageria e crueldade, ele estaria defendendo a fé judaica e libertando-a dos hereges. No texto de 1 Coríntios 15.9, o apóstolo Paulo diz que “perseguiu a igreja de Deus”. Ele era admirado por sua nação (Gl 1.14), por sua paixão nacionalista e denodo em combater o cristianismo (At 9.21; 22.5). Paulo era um grande perseguidor da fé cristã: “sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a devastava” (Gl
1.13), sendo autorizado a arrastar os crentes de onde estivessem para serem julgados, açoitados e até mortos (At 9.2,14; 22.5; 26.10,11).
2.3. Paulo foi perseguidor da igreja por causa da sua ferocidade. Paulo era como um animal selvagem em busca de uma frágil presa. Em suas próprias palavras, em Atos 26.11, ele diz que estava “demasiadamente enfurecido”. Seu coração estava possuído pelo ódio: “E Saulo, respirando ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor[...]” (At 9.1). O temor de Ananias: “eu sei das terríveis coisas que esse homem vem fazendo aos santos em Jerusalém” (At 9.13) refletia o temor dos crentes a pessoa de Paulo: “E todos os que o ouviam estavam atônitos [...]” (At 9.21). Os irmãos sabiam da sua participação na morte
de Estevão: “E, expulsando-o da cidade, o apedrejaram [...]” (At 7.58), ele mesmo confessou sua participação (At 22.20). A igreja conhecia os males que esse homem violento fazia à fé dos crentes (At 26.11), das prisões, açoites e mortes decorrentes das suas ações (At 22.19).
2.4 Paulo foi perseguidor da igreja por causa da sua cegueira espiritual. Paulo, no auge da sua ignorância espiritual, se tornou uma bandeira para os perseguidores da Igreja. Como um fariseu fanático, tinha a convicção de que a sua missão era acabar com a fé cristã (At 7.58), perseguindo, matando e prendendo os crentes (Gl 1.13,14). Sua postura autoritária e arrogante o fazia ser violento, usando grande força contra homens e mulheres, sem qualquer compaixão acreditando que estava agindo corretamente: “Segundo o zelo, perseguidor da igreja [...]” (Ef 3.6a). Ele imaginava piamente que, com esse comportamento, estava agradando a Deus (At 26.9-11) e, por isso, não via problemas em prender e do de arrastar presos para Jerusalém os que professavam o contra nome de Jesus (At 9.2).
III – O PERSEGUIDOR QUE SE TORNOU PERSEGUIDO POR AMOR A CRISTO
Os sofrimentos na vida de Paulo começaram imediatamente após a sua conversão e se seguiram por toda a vida. Vejamos algumas das suas primeiras aflições.
3.1 Foi ameaçado, apedrejado e açoitado. Ainda nos primeiros passos na fé, Paulo foi ameaçado de morte pelos judeus (At 9.23). Ainda viveu a terrível experiência de ser apedrejado quase até a morte (At 14.19). Ainda em diversas ocasiões foi açoitado por causa do evangelho de Cristo (2Co 11.24; 2Co 11.25).
3.2 Foi preso. O apóstolo dos gentios experimentou diversas prisões e todos os danos que elas podiam lhe proporcionar (2Co 11.23 cf. At 16.23; 23.10). É bom enfatizar que todas as prisões de Paulo foram injustas. Apesar disso, foram muito grandes os proveitos espirituais tirados delas (Fp 1.13,14). Um deles foi a produção de quatro cartas inspiradas pelo Espírito Santo: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.
.
3.3 Foi rejeitado. Outra dor sentida por Paulo ainda nos seus primeiros dias de convertido foi a rejeição. Os cristãos, a princípio, não acreditaram na conversão do perseguidor. Pensavam eles que a conversão de Saulo era um disfarce para que ele tivesse
acesso à Igreja local e depois viesse a destruí-la (At 9.21,26; 14.5,6; 18.6).
3.4 Perdeu status social, padeceu fome e sede. Por ter nascido em Tarso, da Cilícia, Paulo era cidadão romano por direito de nascimento, o que cabia apenas aos nobres (At 22.28). Além disso, desfrutava de um altíssimo conceito entre os religiosos da época (Gl 1.14). O fato é que ele perdeu tudo isso por amor a Cristo (Fp 3.8) e ainda padeceu fome e sede (Rm 8.35; 1Co 4.11; 2Co 11.27).
IV - AS DIVERSAS ÁREAS DA PERSEGUIÇÃO CONTRA A IGREJA
Na maioria dos países do mundo, a Igreja não sofre mais com a fogueira, forca, entretanto, há outros tipos sutis de perseguição, que de igual modo tenta impedir o avanço da igreja, são elas:
4.1 A perseguição jurídica e institucional. Autoridades, jornalistas, intelectuais, professores e artistas muitas vezes exigem que os cristãos não tenham o direito de expressar os seus valores, opiniões, princípios e doutrinas em qualquer espaço da sociedade, e há muitas vezes uma violação aos direitos mais básicos do ser humano quando é cerceado o direito de expressão. Na esfera institucional têm sido criadas leis e outros métodos para impedir o avanço da igreja, sendo proibida em vários aspectos a liberdade de expressão por parte dos cristãos (At 4.18).
4.2 A perseguição ideológica e moral. A perseguição a partir dos valores morais se caracteriza sobretudo pela rejeição dos princípios cristãos (Rm 1.18-32; Ef 5.8,15); pela legalização dos comportamentos imorais (2Tm 3.1-7; 1Co 6.9-10); e, pela demolição dos valores absolutos (Rm 1.18-32; 1Tm 4.1-4).
4.3 A perseguição cultural e acadêmica. Além da perseguição tradicional aos cristãos, há a perseguição mais sofisticada, que se dá no campo cultural na:
a) música: quando há um estímulo ao consumo de drogas, ao amor livre, à prostituição e ao escarnecimento do Cristianismo;
b) na literatura: através de livros que tentam minar o cristianismo buscando destruir o avanço da Igreja; c) na teledramaturgia: por meio das novelas, filmes e desenhos animados que procuram destruir os valores e a doutrina cristã;
d) pela cultura popular: por meio das festas como o carnaval, o folclore, crendices populares etc;
e) pela ciência: com a teoria da evolução, ateísmo, racionalismo, humanismo; e, f) pela arte: com sua subjetividade abrindo espaço para as mais diversas manifestações religiosas sincréticas, bem como o culto ao corpo.
4.4 A perseguição física. Muitos são os relatos das grandes perseguições que a Igreja passa em países por causa de sua fé. Cristãos são martirizados, igrejas são devastadas, missionários são forçados aos trabalhos forçados. Entretanto, apesar da violência empregada com açoites, prisões, tortura psicológica, apedrejamento e mortes, muitos dos discípulos fiéis a Cristo não negaram o nome de Jesus. Nenhuma perseguição vai calar a Igreja (Mt 16.18; At 4.19,20). Apesar de toda a violência empregada com açoites, prisões, apedrejamentos e morte, muitos fiéis a Cristo não negaram o nome de Jesus (At 26.10).
CONCLUSÃO
Concluímos que caso a Igreja fosse uma mera organização humana, já teria se destruído pelas grandes perseguições. Mas por ser uma instituição divina, edificada pelo próprio Cristo é, por isso, que a Igreja subsiste ao longo dos séculos e
continuará a subsistir até a vinda gloriosa de Jesus.
REFERÊNCIAS
• BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Brasil: Editora Vida, 1991.
• CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo: Lições da vida e ministério do apóstolo dos gentios para a igreja de Cristo. CPAD, 2021.
• BALL, Charles Ferguson. A vida e os tempos do apóstolo Paulo. CPAD.
• BRUCE, F. F. Paulo, o apóstolo da graça. VIDA NOVA.
• VINE, E. W; et al. Dicionário Vine. CPAD.
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. 2010.

Introdução
O ilustre escritor e pregador pastor Hernandes Dias Lopes escreveu que “Paulo não se converteu; ele foi convertido”. Foi, sem dúvida, uma conversão revolucionária na história do cristianismo. Sua conversão não foi nem mesmo uma decisão de Paulo, mas foi o próprio Cristo que fez valer a graça soberana de Deus, porque ele estava, de fato, perseguindo o nome de Jesus. Lucas, o historiador de Atos dos Apóstolos, foi quem deu destaque a essa conversão, descrevendo-a em outros textos de Atos nos capítulos 22.4-16 e 26.12-18. Naqueles dias, a identificação de “igreja” ainda não era conhecida, e o nome que identificava os seguidores de Jesus era “o Caminho” (Ats 9.2, ARA). Depois, esse nome “o caminho” aparece de novo em 19.9,23 e 22.4; 24.14 e 24.22. Mesmo que Paulo não se refira à Igreja como “o caminho”, a alusão a esse nome fora feita por Jesus, que falava “do caminho” como o que leva à vida, mas o que leva à perdição é “o caminho da perdição” (Mt 7.13,14). Mas Jesus não quis identificar esse nome como a sua Igreja. Em João 14.6, Jesus refere-se “ao caminho” como sendo Ele mesmo. A experiência dramática da luz resplandecente sobre Saulo de Tarso, derrubando-o por terra e deixando-o cego, foi tão forte que ele teve que ser conduzido a uma casa em Damasco (Ats 9.3,4). Nada diz que ele estivesse montado num cavalo ou nos lombos de um camelo, como alguns pregadores afoitamente declaram. Os homens que o acompanhavam levantaram-no e conduziram-no à casa onde ele ficaria por três dias, sem comer nem beber, mas aguardando o que haveria de acontecer consigo. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).
Uma mudança radical de comportamento foi notada em Saulo não apenas fisicamente, mas a mudança de pensamento acerca de Cristo, a quem ele perseguia, também foi percebida. Os adeptos do determinismo preferem afirmar que ele não se decidira por Jesus, mas foi o próprio Jesus quem se decidiu por ele.
Discordamos dessa última afirmação calvinista. Cremos, sim, pelo fato de Saulo estar bloqueado para entender o projeto de Deus, foi manifestada a sua graça preveniente, isto é, independentemente do estado pecaminoso do homem que está morto no pecado, Deus derrama da sua graça sobre o pecador para que ele possa crer.
A graça divina não foi uma imposição de Deus, mas uma demonstração de sua misericórdia para com o orgulhoso Saulo de Tarso. Por meio da graça preveniente de Deus, Saulo pôde, por seu livre-arbítrio, fazer a escolha de reconhecer a Cristo na sua vida.
I – A Conversão de Saulo de Tarso Foi um Ato da Graça de Deus
1. Jesus Tomou a Iniciativa para Mover com a Mente de Saulo
O impacto da visão resplandecente no caminho de Damasco tomou a Saulo de surpresa. Esse impacto da visão gloriosa na sua vida moveu com o emocional de Saulo, e ele pôde crer que o seu perseguido era o Cristo. Ele ainda estava sob o efeito do sucesso que teve em Jerusalém contra os seguidores de Jesus. Imbuído de uma coragem irracional, Saulo de Tarso, bem relacionado com a casta sacerdotal, tinha “carta branca” das autoridades sacerdotais de Jerusalém para proceder com o mesmo rigor em Damasco contra os seguidores de Cristo. Ele estava acompanhado por alguns outros fanáticos judeus e fariseus que pensavam como ele para acabar com o grupo de crentes em Cristo que havia em Damasco e que se reuniam em várias sinagogas na cidade. Dada a dureza de coração de Saulo, o Senhor, que o havia escolhido para ser o apóstolo dos gentios, tomou a iniciativa para sacudir com a estrutura física, mental e espiritual de Saulo, agindo pessoalmente com ele.
A experiência da conversão de Paulo é crítica para que compreendamos este homem, cujo comprometimento total com Jesus está refletido não somente no Livro de Atos, mas também em suas 13 cartas encontradas em nosso Novo Testamento. Lucas nos dá nada menos que três versões da história da conversão [...], duas das quais representam a história contada por Paulo, primeiramente a uma audiência de judeus e depois a uma de gentios. Está claro que a aparição de Cristo ressuscitado ao apóstolo foi fundamental, não somente para a conversão, mas também para sua consciência de que ele havia sido separado por Deus como uma testemunha e um apóstolo para o mundo. (RICHARDS, 2007, p. 264).
2. A Manifestação da Graça Salvadora para com Saulo
“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11).
Deus manifestou sua graça para com esse homem não porque ele era um eleito para tal e, inevitavelmente, seria salvo. A mesma graça é para todos os que aceitam a oferta salvadora de Cristo Jesus. Posteriormente, Paulo escreveu na carta aos Efésios 2.8, dizendo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus”. Na epístola a Tito, ele diz, também: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. O ponto de partida para a salvação de todos os homens é a graça de Deus. Graça é o favor imerecido da parte de Deus em que a sua justiça é satisfeita nos méritos de Jesus na sua morte expiatória. Graça é favor outorgado aos pecadores que estão debaixo da ira de Deus. Aos Romanos 3.23,24, Paulo diz: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Indiscutivelmente, a conversão de Saulo de Tarso foi muito mais que um convencimento intelectual de quem era Jesus. Sua conversão foi o fruto da obra regeneradora do Espírito Santo em sua vida, levando-o a confessar que Jesus era o Senhor e Salvador de sua alma.
3. O Impacto da Experiência Sobrenatural que Saulo Teve no Caminho de Damasco
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.23).
Alguns estudiosos da vida de Paulo negam o fato de que, ao derrubá-lo por terra, o Espírito Santo imediatamente trabalhou no seu emocional. Jesus falou aos seus discípulos certa feita: “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13). Portanto, a conversão de Saulo de Tarso não foi algo compulsivo, nem um transe hipnótico. Deus não obrigou a Saulo aceitar sua graça, mas concedeu-a livre e espontaneamente. Saulo, impactado pela visão de Jesus, permitiu que seu emocional abrisse a porta para tocar-lhe sua razão e entendimento. No texto base de Atos 9.3, Lucas narrou que, quando Saulo viajava para Damasco, foi surpreendido por um resplendor do céu mais forte que a luz do sol do meio-dia, que o fez cair por terra e ficar completamente cego. Se, pelos argumentos racionais, Saulo não fazia concessões para ouvir sobre Jesus, o Crucificado, agora, “a luz que ofuscou seus olhos” trouxe a voz do próprio Senhor Jesus, que o confrontou de forma impactante. A voz de Jesus era: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Ats 9.4). Na entrada da cidade, já bem perto de Damasco, sua intenção de entrar na cidade e acabar de vez com o grupo dos seguidores de Jesus, que ele tratava-os como hereges, foi surpreendido por uma experiência transcendental em sua vida. Ele, segundo seu próprio testemunho, pôde ver literalmente a Pessoa de Jesus, o Ressurreto, que o despojou do seu “ego” arrogante. Naquela visão, Saulo pôde entender quem era Jesus e o porquê da sua obra redentora no Calvário. Uma das qualidades do nosso pentecostalismo é deixar o Espírito Santo trabalhar livremente com o nosso emocional para alcançar o nosso racional.
II – Aclarando a Doutrina Bíblica da Conversão
1. A Conversão É uma Doutrina Bíblica que Faz Parte do Corpo de Doutrinas Cristãs
“Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13).
A narrativa de Lucas em Atos 9 tornou-se uma doutrina de importância da igreja cristã. Alguns estudiosos reúnem “conversão e vocação”, porque alguns biblistas entendem que não houve uma conversão, mas uma chamada para a missão entre os gentios. A notável experiência de Paulo no caminho para Damasco foi um exemplo indiscutível de conversão cristã. A verdadeira conversão é aquela que nasce da tristeza para com o pecado e o reconhecimento de que precisa “dar meia volta” para Deus. É uma mudança que tem suas raízes na obra regeneradora efetuada na vida do pecador pelo Espírito Santo. Como obra de Deus, a conversão é uma manifestação externa da regeneração operada pelo Espírito Santo. A conversão implica em mudança de pensamentos, de desejos e vontades e deve alterar todo o curso da vida do pecador. É o ato de Deus pelo qual Ele faz com que o pecador volte-se para Ele com arrependimento e fé. No caso de Saulo de Tarso, o choque da experiência mística do “resplendor de luz” sobre os seus olhos revolucionou sua mente, levando-o a reconhecer que o Cristo que tanto rejeitava agora o fazia seu apóstolo.
2. A Conversão de Saulo de Tarso Promoveu Mudanças em Toda a sua Estrutura Pessoal
Encontramos dois sentidos que se traduzem por “arrependimento” no Novo Testamento. O primeiro sentido de arrependimento é “tristeza”, e o outro sentido é a “contrição e o desejo de mudar de atitude”. Aos coríntios, Paulo definiu o arrependimento assim: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10). A tristeza segundo Deus lembra ao pecador seus próprios pecados, e, consequentemente, essa lembrança produz tristeza pelos pecados cometidos. Arrepender-se implica no desejo de correção. Significa mudança de mente que induz à correção de caráter e de conduta moral. É obra do Espírito Santo.
Outro sentido para entender a palavra “arrependimento” refere-se à “contrição e o desejo de mudar de atitude”, de comportamento na vida cotidiana. A luz do resplendor que cegou os olhos de Saulo fizeram-no ver o Cristo Ressuscitado e abriu-lhe os olhos do seu interior para conhecer, de fato, a Jesus e torná-lo seu senhor e Salvador. Essa visão fez com que ele indagasse o Cristo glorificado sobre o que deveria fazer a partir de então. Sua vontade, antes egoísta e individualista, é agora demonstrada por Saulo numa total resignação à vontade soberana de Cristo. O arrependimento e a fé são os dois elementos essenciais da conversão. Significa “dar meia-volta” ou “virar-se para trás” (Ats 15.19; 2 Co 3.16). Na língua grega do Novo Testamento, o termo grego metanoia expressa a ideia de “arrependimento”. Por exemplo, em Atos 2.38, Pedro disse à multidão depois do Pentecostes: “[...] arrependei-vos (“deem meia-volta”), e cada um de vós seja batizado em nome do Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”.
III – Os Três Elementos Distintos da Conversão
Outro sentido da palavra “arrepender-se” no grego bíblico é metanoeõ, que significa “pensar de maneira diferente; sentir remorso”. A conversão é, de fato, uma parte do processo de salvação do pecador. Não implica em um ato judicial da parte de Deus, mas assinala o início, o despojamento do “velho homem” (Ef 4.22), e assinala o revestimento do novo homem (Ef 4.24).
1. O Primeiro Elemento Operado pelo Arrependimento É o Intelectual
Naturalmente, o processo da conversão de um pecador inicia-se no campo da mente. Uma das obras do Espírito Santo é o convencimento do pecado na mente do pecador. Jesus declarou que o Espírito Santo seria enviado para convencer o mundo, como está escrito: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo; do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado” (Jo 16,8-11). Portanto, o ato de convencer, nesse caso, pertence ao Espírito Santo. É o Espírito Santo que opera a mudança de conceito e de opinião. A Bíblia chama isso de “conhecimento do pecado”. O texto diz literalmente: “Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele [de Deus] pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Por isso, a importância da pregação do evangelho.
2. O Segundo Elemento Operado pelo Arrependimento É o Emocional
“Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10).
Nesse campo dos sentimentos da vida interior, o pecador experimenta uma mudança de sentimento que se manifesta pela tristeza do pecado contra um Deus santo e justo. Paulo disse: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10). No Antigo Testamento, Davi ora a Deus e demonstra tristeza para com o seu pecado e pede misericórdia: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias” (Sl 51.1).
3. O Terceiro Elemento Operado pelo Arrependimento É o Volitivo
Na antropologia, estudamos sobre o ser humano tripartite, ou seja, o homem é uma tricotomia constituída de corpo, alma e espírito. Especialmente, a alma humana representa a pessoa do ser humano, a qual possui três elementos vitais de sua personalidade: a mente (ou intelecto), o sentimento (emoções) e a vontade. Naturalmente, se o pecador está convencido na sua mente do seu pecado, resta-lhe exercer sua vontade. O homem foi dotado da faculdade de escolher livremente, que possui determinação própria. Ele é um agente moral livre e, por isso, possui uma capacidade para a ação moral.
O pecado principiou na vida do homem quando ele usou mal a sua vontade própria. O Espírito Santo é quem convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Existe uma teoria de que o homem perdeu o seu livre-arbítrio por causa do pecado, mas nós refutamos essa ideia, porque o homem pode escolher sim - ajudado pelo Espírito Santo - mudar a sua vida.
Conclusão
O que teria sido a história do cristianismo se Saulo de Tarso não tivesse se convertido? Por isso, a sua conversão tornou-o o personagem principal da igreja no mundo. Nenhum dos apóstolos em Jerusalém faria o que só Paulo podia fazer, pois nenhum deles tinha a habilidade de romper fronteiras culturais e geográficas. A sua conversão mudou sua história pessoal e obrigou-o a reconhecer que não podia medir forças com o Cristo glorioso que se deu a conhecer a ele. Paulo descobriu que não podia mais lutar contra o nome de Jesus. Pelo contrário, ele passou a lutar pelo nome de Jesus expondo-se às ameaças constantes por onde passava. A conversão é, portanto, uma obra divina e, ao mesmo tempo, humana. Na conversão, a soberania de Deus caminha de mãos dadas com a responsabilidade humana. Por isso, o arrependimento e a fé são elementos que conduzem o pecador a ser remido pelo sangue expiador de Cristo.

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